Justiça aceita denúncia do Ministério Público por desvio de R$ 1,4 milhão no RS

Esquema teria lesado 137 associados do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região

Justiça aceita denúncia do Ministério Público por desvio de R$ 1,4 milhão no RS Polícia Civil/divulgação

Delegacia Fazendária (Defaz) deflagrou a Operação Ourives Foto: Polícia Civil / divulgação

A 9ª Vara Criminal do Fórum Central de Porto Alegre aceitou a denúncia contra cinco pessoas suspeitas de desviar mais de R$ 1 milhão do Sindicado dos Bancários da Capital (SindBancários) encaminhada pelo Ministério Público Estadual.

A denúncia é referente a suspeitas de envolvimento em um esquema que teria lesado 137 associados do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários). O grupo teria desviado R$ 1,4 milhão — apuração inicial era de R$ 5 milhões — correspondentes a valores ganhos pelos trabalhadores em ações judiciais coletivas da categoria.

Conforme denúncia assinada pelo promotor Luís Antônio Portela, o golpe se materializou entre janeiro de 2004 e junho de 2012, envolvendo o ex-funcionário da tesouraria do sindicato João Carlos Galbarino Amaral, 46 anos, e outros quatro amigos, que serviriam de "laranjas" (concordavam com depósitos das quantias desviadas em suas contas em bancos). Um deles, Erni Menezes Flores, 50 anos, tinha sido integrante do conselho fiscal do Sindbancários em anos anteriores. Eles foram denunciados por estelionato e formação de quadrilha.

ENTENDA O GOLPE

- Pacotes econômicos do governo federal como planos Verão, Bresser, Cruzado e Collor provocaram perdas salariais aos bancários.

- Para reaver esses valores, o sindicato ingressou com ações judiciais coletivas.

- Como os processos demoraram anos para serem julgados, alguns bancários deixaram de acompanhar o trâmite judicial, esquecendo de checar os resultados das ações e de ler boletins informativos do SindBancários.

- Em nove processos, 137 bancários tiveram ganho da causa, mas não apareceram para receber o dinheiro, equivalente a R$ 1,4 milhão, depositado em uma conta especial do sindicato.

- Aproveitando-se disso, o ex-funcionário da tesouraria João Carlos Galbarino Amaral teria falsificado procurações e endossos, induzindo a direção do Sindbancários a equivocadamente assinar cheques que seriam em favor dos beneficiados pelas ações judiciais.

- Em vez de os cheques serem entregues aos bancários, eram depositados em contas correntes de quatro amigos de Amaral. Por depósito, os donos das contas ficariam com 30% do valor.

- Pelo menos três bancários já estavam mortos quando os golpistas receberam o dinheiro em nome das vítimas.

ZERO HORA