Sensibilizados, policiais pagam fiança de homem que furtou carne

Um homem preso em flagrante ao tentar furtar 7 kg de carne de um mercado foi solto depois de policiais civis do Distrito Federal se sensibilizarem com a história do eletricista desempregado que contou ter praticado o crime para alimentar o filho de 12 anos. Os policiais pagaram a fiança e compraram alimentos e produtos de higiene para o homem.

Desempregado há três meses, Mário Ferreira Lima, de 47 anos, contou que cria sozinho seu filho de 12 anos. De acordo com o portal G1, o eletricista foi ao mercado comprar alimento para ele e seu filho, no entanto, ao passar no caixa viu que não teria dinheiro para a compra toda e por isso tentou esconder a carne.

"Coloquei as carnes dentro da bolsa e passei no caixa queijo, mortadela e pães, porém, funcionários do local perceberam e chamaram a polícia. Fiz isso em um momento de desespero. Estava havia dois dias sem comer", afirmou ao jornal Folha de S.Paulo.

O eletricista cria o filho sozinho desde que a mulher se mudou para a casa de um filho mais velho, de outro casamento, para se recuperar das sequelas de um acidente. Ao ser levado para a delegacia eletricista narrou ter perdido o emprego com carteira assinada por ter precisado acompanhar a mulher nos oito meses em que ela ficou internada em coma no hospital.

Sensibilizado com a história, o policial Ricardo Machado decidiu pagar a fiança de R$ 270. "Fizemos também uma vaquinha de R$ 300 com quase todos os policiais." Segundo a agente Kelen Cristina, para ter certeza de que a história era verídica, os policiais foram até a casa dele e constataram que a situação era de extrema pobreza. "Não havia nada na geladeira nem produtos de higiene pessoal, como pasta de dente e sabonete", afirmou.

Os policiais levaram Lima para um supermercado e pediram para que ele escolhesse os mantimentos. Ele chorou demais e agradecia a toda hora. "Não queria nada caro", contou Machado. “Na hora que passávamos pela seção de higiene, um colega perguntou se ele tinha pasta de dente. Ele disse que tinha mais de mês que não escovava os dentes com pasta, e pedimos que ele pegasse lá, então. Ele, na humildade dele, voltou com a menorzinha e mais barata. Brincamos que isso não dava nem para um dia e pegamos logo cinco, aí pegamos sabonete e todo o resto".

Revista Consultor Jurídico, 15 de maio de 2015, 14h04