Renan Calheiros admite repatriação de divisas e descarta novos impostos

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), defendeu durante a semana cortes profundos na máquina administrativa do Governo Federal e a repatriação de divisas como alternativa para fazer frente à crise.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), voltou a defender nesta quarta-feira (08) cortes profundos na máquina administrativa do Governo Federal e a repatriação de divisas como alternativa para fazer frente à crise.  Foto: Jonas Pereira

“Nós estamos preocupados com essa combinação na economia. Inflação alta e desemprego alto. Esta é a pior combinação que podemos ter. Não dá mais para aumentar impostos. O sacrifício dos trabalhadores já chegou ao limite e o Congresso Nacional aceita que haja qualquer coisa nova, inclusive essa repatriação de capitais. Desde que se tenha regras claras, critérios de transparência, segurança e honestidade”, analisou Renan.

“A economia vive um momento dramático. Não há como relativizar a crise. E a sociedade está no limite, não tem mais jeito, o Governo vai ter que cortar na própria carne, que reduzir ministérios, cargos em comissão, que cortar despesas, é isso que o Senado novamente sugere. Temos de ter alternativas de buscar dinheiro novo e a primeira delas é repatriar capitais”, observou o presidente do Senado.

A repatriação de divisas está no Projeto de Lei do Senado (PLS) nº 126 de 2015, de autoria do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que é um dos integrantes da CPI do SwissLeaks.  O texto está na pauta de votações da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) da terça-feira (14). Para o presidente do Senado, o dinheiro repatriado será um aporte para criar o fundo de compensação aos estados que tiverem perdas com a unificação das alíquotas do Imposto sobre Comercialização de Mercadorias e Serviços (ICMS).

A criação do Fundo de Compensação foi defendida pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) em visita a Renan Calheiros na quarta-feira (08). A unificação das alíquotas ICMS está definido no Projeto de Resolução do Senado (PRS) nº 01 de 2013, em discussão.

“Nós somos favoráveis à reforma do ICMS, fazendo uma redução das alíquotas interestaduais gradualmente. Isto faz com que o imposto caminhe da origem para o destino. Obviamente que fazendo esta transição, alguns ganham e outros perdem. Então, ganham os estados que têm maior consumo, especialmente o nordeste, e perdem os chamados exportadores líquidos, os estados que mais produzem do que consomem”, explicou o governador de São Paulo.