"Horizonte com Dilma é negro", diz autor do pedido de impeachment

Jurista Miguel Reale afirmou que o presidente da Câmara "escreveu certo por linhas tortas"

"Horizonte com Dilma é negro", diz autor do pedido de impeachment Jefferson Botega/Agencia RBS

Miguel Reale é um dos autores do pedido de impeachment de Dilma

Um dos autores do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff acolhido nessa quarta-feira pelo presidente da Câmara, o jurista Miguel Reale afirmou nesta quinta-feira que a saída da presidente Dilma vai devolver ao país a "esperança" em relação à recuperação da economia. Na avaliação do jurista, a permanência da presidente no comando da nação contribui para um cenário de recessão e de desemprego.

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— Com Dilma [na presidência] não existe possibilidade de recuperação econômica. O horizonte com Dilma é um horizonte negro. Não há esperança. Vejamos o caso da Argentina. A eleição do Macri [candidato de oposição] já gerou um clima de expectativa positiva —, afirmou em entrevista ao Gaúcha Atualidade.

Miguel Reale também criticou a forma como a presidente reagiu à abertura do processo de impeachment. No pronunciamento, Dilma disse que não paira "nenhuma suspeita" contra ela e que seu passado e seu presente "atestam" a sua idoneidade.

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Dilma disse ainda que não ocultou bens, e nem possui contas no Exterior, numa clara referência ao presidente da Câmara. Para o jurista, a presidente tentou se "vitimizar" perante à opinião pública.

— Há um processo de vitimização. Dizem que o impeachment é golpe. Não é golpe. É constitucional, existe previsão na lei. É constitucional. A presidente diz 'mas eu fui eleita'. É lógico. Impeachment só existe para quem foi eleito —, afirmou.

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Sobre o fato de o impeachment ter sido aceito por Eduardo Cunha como uma espécie de "vingança" pelo fato de o PT votar contra ele no Conselho de Ética, o jurista Miguel Rale disse que "a motivação não importa". Ele lembrou que o próprio Cunha estava há semanas protelando a abertura do processo.

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— O Eduardo Cunha não recebe nenhum respeito da nossa parte por isso. O pedido de impeachment não é do Cunha. E não importa a motivação que o levou [a aceitar]. Ele acaba escrevendo certo por linhas tortas —, concluiu.

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