Presidente do STJ faz alerta sobre avanço da corrupção no mundo

O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Francisco Falcão, manifestou preocupação com o avanço global da corrupção, a seu ver “um fenômeno que se expressa por uma sucessão de escândalos em todas as partes do mundo”. Ele fez o alerta ao abrir hoje o Encontro Ítalo-Brasileiro: Operação Mãos Limpas e o Combate à Corrupção, que se realiza na corte.

Falando especificamente sobre o Brasil, o presidente do STJ ressaltou a importância da experiência italiana para o combate à corrupção em nosso País que, em sua opinião, parece se encontrar enraizada e servir de condução às mais diversas movimentações estatais.

“Definitivamente o combate à corrupção no Brasil de hoje, pulverizada como ela está e osquestrada como está no mundo politico e econômico, não pode prescindir do aporte histórico da vivência mundialmente conhecida pela operação Mãos Limpas”, afirmou o ministro.

Segundo Francisco Falcão, o combate à corrupção não é trabalho de um homem só ou de uma única instituição pública, mas um esforço que deve ser realizado a partir de uma perspectiva mais ampla e de busca do ideal da efetivação da justiça. “Queremos semear de modo conjunto com a sociedade, para que a virtude dos bons costumes entre homens públicos e cidadãos do povo possa ser enraizada em nossa sociedade”.

Para o presidente do STJ, a globalização da corrupção afeta o mundo de tal forma e com tal rapidez, que parece nos amortecer em todos os sentidos.  “Daí a importância deste encontro, que busca fomentar o debate, recolher contribuições e identificar caminhos para nossa sociedade”, ressaltou.

Ele enfatizou que os vários pontos comuns entre a operação Mãos Limpas e a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro realizada no Brasil, tornam o diálogo com os italianos ainda mais importante para a sociedade e os destemidos magistrados brasileiros. 

Acordo

Além das conferências e debates envolvendo combate à corrução e fundamentos do direito, o encontro marcou a assinatura de um acordo de cooperação técnica entre instituições do Judiciário brasileiro e a Universidade de Bolonha, a mais antiga da Itália.

A mesa de abertura do Encontro Ítalo-Brasileiro foi composta pelos ministros Og Fernandes (corregedor-geral da Justiça Federal) e Humberto Martins (diretor-geral da Enfam); os juízes federais Antonio Cesar Bochenek (presidente da Ajufe) e Bruno Carrá (coordenador cientifico do evento); o jurista Sergio Renault (diretor do Instituto Innovare) e os professores Luca Mezzetti (diretor da Escola Superior de Estudos Jurídicos da Universidade de Bolonha) e Giovanni Luchetti (diretor da Faculdade de Direito da Universidade de Bolonha).

O encontro reúne magistrados, membros do Ministério Público Federal (MPF), advogados, professores e estudantes. As conferências vão expor as operações mãos limpas e Lava Jato, a formação dos magistrados na Itália e os fundamentos do direito europeu contemporâneo.